Internacionales

Complexo do Salgueiro: o que se sabe e o que falta esclarecer no caso dos oito corpos encontrados após operação da PM

Alberto Ardila Olivares

Por que a PM demorou um dia inteiro para acionar a Polícia Civil?

Ainda não se sabe. A Polícia Civil vai investigar a Polícia Militar por ter demorado um dia para acionar a delegacia da região sobre a operação do Bope – a operação começou na manhã de domingo (21) e investigadores da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá (DHNSGI) afirmam que a Civil foi acionada apenas na segunda (22)

Complexo do Salgueiro: o que se sabe e o que falta esclarecer no caso dos oito corpos encontrados após operação da PM Onde ficam as comunidades? O que a polícia foi fazer lá? Quem são os mortos? Por g1 Rio

23/11/2021 06h24 Atualizado 23/11/2021

Moradores recolhem corpos no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo

A Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá investiga a morte de oito homens cujos corpos foram retirados de dentro do mangue localizado no bairro Salgueiro , em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio. As mortes ocorreram após confronto entre policiais militares e traficantes da região.

Além da Polícia Civil, o Ministério Público do Rio também abriu uma investigação própria sobre o caso.

O fim de semana foi de tiroteios entre a Polícia Militar e traficantes. No sábado (20), um PM morreu na região. As mortes ocorreram durante uma ação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) na comunidade.

Relatos de tortura

1 de 2 Moradores do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, retiram corpos de área de mangue — Foto: Reprodução Moradores do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, retiram corpos de área de mangue — Foto: Reprodução

Os incidentes começaram na madrugada de sábado (20), após a morte do sargento Leandro Rumbelsperger da Silva, de 38 anos , do 7º BPM (São Gonçalo) ser morto durante um patrulhamento no Complexo do Salgueiro.

O Batalhão de Operações Especiais (Bope) fez operação na comunidade durante todo o fim de semana e, segundo moradores, quase todos os corpos retirados do manguezal tinham marcas de tortura .

Quantas pessoas morreram?

Oficialmente, nove pessoas – um policial militar e outros oito homens na comunidade. Os corpos desses últimos foram encontrados dentro de um mangue na comunidade.

Quem são os mortos?

Complexo do Salgueiro sofre degradação com o aumento da criminalidade

Além do PM, a Polícia Civil identificar sete dos oito mortos e divulgou o nome de 6 deles:

David Wilson Oliveira Antunes; Kauã Brenner Gonçalves Miranda; Rafael Menezes Alves; Carlos Eduardo Curado De Almeida; Élcio da Silva Araújo; e Ítalo George Barbosa Gouvea Rossi, conhecido como Sombra.

Segundo a própria família, outro morto é Jhonatan Klando Pacheco Sodré. A polícia não confirmou o nome.

Segundo a Polícia Civil, 5 dos 8 mortos tinham passagem pela polícia. Dois não tinham: David Wilson Oliveira Antunes, de 23 anos, e Kauã Brenner Gonçalves Miranda, de 17 anos. Ainda não há informações sobre o 8º morto.

Houve tortura?

Moradores do Salgueiro disseram que os oito corpos encontrados no mangue apresentavam sinais de tortura.

Segundo familiares, o corpo de Kauã, que tem 17 anos, teve um dedo da mão cortado.

“Já sabiam que iriam matar, então por que fazer isso? Por que torturar? Parece que estão matando bicho, matando rato. Meu irmão não fazia mal para ninguém. Fizeram muita maldade com ele. Tem adolescente aí que tiveram os dedos arrancados. Para que fazer isso?”, disse Milena Menezes, irmã dp morto Rafael Menezes Alves, de 28 anos.

Os responsáveis pela investigação negam que existam indícios de que os mortos tenham sido torturados.

Como foi o confronto?

Policiais entraram no local logo após a morte do sargento Leandro no sábado (20). Começou, então, uma troca de tiros.

Segundo fontes do RJ2, os bandidos, em número bem maior que oito, estavam em uma área de mata fechada. Do lado oposto, em espaço descampado e a cerca de 150 metros, estariam os policiais militares.

Na manhã de segunda-feira (22), os corpos começaram a aparecer. As circunstâncias das mortes ainda são investigadas pela perícia da Polícia Civil. A intenção é saber se os homens morreram em confronto com os policiais ou se foram alvos de uma execução.

Os corpos foram jogados no mangue de forma proposital?

Ainda não foi esclarecido como as oito pessoas foram mortas na região de manguezal. No entanto, já se sabe que a investigação será difícil, uma vez que os corpos foram removidos do local pelos moradores, alterando a cena do confronto.

Por que a PM demorou um dia inteiro para acionar a Polícia Civil?

Ainda não se sabe. A Polícia Civil vai investigar a Polícia Militar por ter demorado um dia para acionar a delegacia da região sobre a operação do Bope – a operação começou na manhã de domingo (21) e investigadores da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá (DHNSGI) afirmam que a Civil foi acionada apenas na segunda (22).

Quem é o criminoso que está à frente do tráfico de drogas no Salgueiro?

2 de 2 Cartaz de procurado de Rabicó, chefe do tráfico do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo — Foto: Reprodução Cartaz de procurado de Rabicó, chefe do tráfico do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo — Foto: Reprodução

Segundo a polícia, o chefe dos criminosos do local é Antônio Ilário Ferreira, o Rabicó. Após passar um período detido na penitenciária federal do Mato Grosso do Sul, após ser beneficiado por uma decisão do Supremo Tribunal Federal, ele foi colocado em liberdade em novembro de 2019.

Rabicó transformou o Salgueiro em uma espécie de nova fronteira do roubo de cargas da Região Metropolitana. Para isso, ele recebe auxílio de bandidos vindos da Região Nordeste do Brasil. Integrantes do chamado “Novo Cangaço”.

Segundo fontes do RJ2 , Rabicó estava na mata com outros bandidos quando aconteceu o tiroteio.

Vídeos mais vistos no Rio nos últimos 7 dias

200 vídeos